Inspira Rede de Educadores, ligada a um fundo de private equity gerido pelo banco BTG Pactual, firmou “parceria” com o Colégio 7 de Setembro. O termo “parceria” foi cuidadosamente pinçado para compor a nota oficial que anunciou o negócio, mas o mercado já trata como sendo uma aquisição devido ao tamanho do “parceiro” que “se juntou” ao Colégio de Fortaleza.

“Após mais de oito décadas educando e formando nossos alunos no âmbito acadêmico e humano e sendo parceiros das famílias, temos a honra de anunciar que o C7S está estruturando uma união estratégica com a Inspira Rede de Educadores, cujo propósito é impulsionar nossas fortalezes e ampliar ainda mais as possibilidades para nossos estudantes. A efetivação desta união está na dependência da autorização do Cade”, destaca o comunicado emitido pelos irmãos Ednilton, Ednilze e Ednilo Soárez, proprietários do 7 de Setembro.

“Com essa união, nossa escola mantém seu DNA, se fortalece e ganha projeção para seguir e expandir o trabalho de excelência, além de novos investimentos em recursos tecnológicos, otimização de práticas de gestão e formação e desenvolvimento de pessoas”, diz outro trecho da nota.

O 7 de setembro possui duas unidades em Fortaleza, uma no Centro, na avenida do Imperador, e outra numa área próxima ao Shopping Bosque Iguatemi.

Inspira Rede de Educadores do banco BTG

A nota oficial antecipa um ponto da gestão que certamente vai durar, no mínimo, até que o Cade autorize o negócio: Henrique Soarez, neto do fundador Edilson Brasil Soarez, ficará na direção do grupo no Ceará.

“Henrique Soárez, educador vocacionado e neto do professor Edilson Brasil Soárez [o fundador do colégio], seguirá na escola focado em conservar nossa referência em aprendizado de qualidade. Vamos somar nossos valores e potencial acadêmico com um parceiro sólido e totalmente comprometido em garantir o sucesso de nossos alunos”.

Rede que comprou 7 de Setembro projeta fazer IPO em 2023

Um dos objetivos da Rede Inspira é realizar aquisições em 2022 e se preparar para o IPO em 2023. Daí a compra do Colégio 7 de Setembro, com suas duas unidades e milgares de alunos, ser um passo importante para aregar mais valor à Rede.

Em 2021, a companhia chegou a comprar 35 colégios. Já neste ano, adquiriu a Escola Canadense de Brasília, o Colégio Santo Tomás de Aquino, em Belo Horizonte, e o Centro de Estudos, de Campos dos Goytacazes (RJ).

A empresa adquiriu ainda o Grupo Educacional Anchieta, de Salvador, mas o negócio ainda está sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com essas aquisições, a Inspira alcançou a marca de 51 mil alunos e de 84 escolas, além de um faturamento anual de R$ 800 milhões (com base nas receitas de 2021). A meta, segundo o presidente da empresa, André Aguiar, é um faturamento de R$ 1 bilhão ainda em 2022, tanto por meio de crescimento orgânico quanto por meio de novos negócios.

“Não vamos alterar o perfil pedagógico das escolas, e sim manter o legado. Nós sempre mantemos a liderança, o corpo pedagógico e o corpo técnico dos colégios, e não vamos abrir mão disso”, afirma Aguiar em reprotagem recentemente publicada pelo Estadão.

Entre os alvos das aquisições, estão as escolas de aprovação (focadas em aprovações nos vestibulares), as tradicionais (como as escolas religiosas), as humanistas (com ensino mais centrado no aluno) e as internacionais (direcionadas para o aprendizado em mais de uma língua).

Aguiar não revela o último aporte que a Inspira recebeu dos controladores, mas em 2020 um fundo de private equity do BTG Pactual injetou R$ 350 milhões na empresa, por 50% das ações.

Segundo texto do O Estado de São Paulo, a oferta pública de ações, IPO na sigla em inglês, projeta engordar o caixa da Inspira para novas compras “e concorrer … leia mais em Focus.Jor 09/05/2022