Após cerca de dois anos de captação, num contexto mais desafiador para os fundos de private equity atraírem investidores para ativos ilíquidos, a americana Warburg Pincus concluiu a captação do seu maior fundo global. O veículo soma US$ 17,3 bilhões – superando a meta original de US$ 16 bilhões e também o montante levantado no veículo anterior, de US$ 15 bilhões.

O fundo, lançado em 2021, já tinha feito fechamentos intermediários e conta com 30 ativos na carteira, sendo três empresas brasileiras: a HRtech Sólides, a plataforma de dados para indústria de varejo Scanntech, que juntas somaram aporte de US$ 140 milhões, e uma outra empresa do setor de tecnologia cujo investimento já foi aprovado, mas que ainda não foi divulgado. O número de investidas no Brasil já é o mesmo do fundo anterior.

Os investimentos na Warburg são aprovados caso a caso no comitê global, sem orçamento específico para cada região alocar. “Nosso portfólio é muito diversificado, tendo em média de 80 a 100 companhias por fundo, e essa captação mostra que os investidores estão confiantes na nossa alocação de capital e performance independente do cenário”, afirma Henrique Muramoto, chefe da Warburg Pincus no Brasil.

Warburg Pincus capta US$ 17 3 bi
Unsplash

No mercado global, o fundo também já investiu em companhias como Simtra BioPharma Solutions (ex-BioPharma Solutions), nas americanas Ensemble Health, EverBank e Internet Brands, na plataforma asiática de seguros Oona Insurance e na fabricante indiana de acessórios para banheiro Watertec.

No Brasil, a Warburg continua buscando oportunidades no setor de tecnologia, focando em empresas que ofereçam solução ou softwares B2B voltadas para a digitalização da economia, consumo, banda, larga, supply chain e digitalização dos serviços financeiros. Os cheques começam em US$ 30 milhões a US$ 40 milhões, pelo menos. “O ideal é buscarmos investimentos mais perto de US$ 100 milhões”, diz Muramoto.

Muramoto considera que o momento é interessante para investir no país, após a euforia vista em 2020 e 2021, em que a abundância de capital diante de juros mais baixos elevou os valuations nas transações. “As companhias brasileiras continuam crescendo e os investidores não estão mais tão agressivos, estão mais conservadores”, diz o gestor.

Ter capital em um momento de menor liquidez dá vantagem competitiva. “Não estamos ligados ao ciclo de captação de fundos do Brasil, o que nos permite a acelerar com disciplina em momentos como esse”, emenda. No Brasil, o número de transações envolvendo fundos de private equity neste ano, até agosto, caiu 22% em relação ao ano passado. O volume, no entanto, aumentou 12%, para R$ 11,4 bilhões, segundo dados da Abvcap e TTR.

“Este é um período desafiador para os investidores, com juros em alta e tensões geopolíticas, mas também com novas promessas desta onda de inovação”, disse Timothy Geithner, presidente da Warburg Pincus, em comunicado.

Fundada em 1966, a gestora tem mais de US$ 83 bilhões em ativos sob gestão e passa de 250 empresas no portfólio, diversificado por estágio das companhias investidas, setor e geografia. A firma já levantou 21 fundos de private equity e dois fundos imobiliários, que investiram mais de US$ 112 bilhões em mais de mil empresas em mais de 40 países… leia mais em Pipeline 10/10/2023