Atenta a um movimento global que pressiona por mais compromisso das empresas com parâmetros ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), a gestora de ativos BlackRock volta seus investimentos no Brasil a projetos na área de infraestrutura com pegada sustentável.

A gigante está assumindo o protagonismo na propagação dos critérios ESG entre as companhias e deve eliminar as empresas de geração térmica a carvão, produtoras de armas e do setor de energia nuclear das suas carteiras até a metade deste ano.

O compromisso com a sustentabilidade e com a criação de processos capazes de realmente impactar no mercado estão na carta anual do presidente global da BlackRock, Larry Fink, publicada em janeiro. Nela, o executivo admite que “estamos à beira de uma mudança estrutural nas finanças” e apresenta as atitudes que serão tomadas para se adequar a essa nova realidade.

A ideia é tirar algumas grandes companhias da inércia, explicou o presidente-executivo no Brasil BlackRock, Carlos Takahashi durante encontro promovido pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) em Porto Alegre nesta sexta-feira (6). “Temos de usar nosso poder de indução para forçar as empresas a caminharem nesse sentido. Essa pressão deve trazer impactos nos preços dos ativos e, de alguma forma, passar a penalizar quem não está preocupado com isso”, explica Takahashi. São dois caminhos possíveis, diz o executivo: “desinvestir ou exigir melhores práticas”.

Quem pensa que a carta de Larry Fink ou as novas diretrizes dos negócios pegaram de surpresa ou assustaram os cotistas e acionistas da companhia está enganado. O número de clientes no Brasil, pelo contrário, não para de crescer desde a chegada da gestora ao País há 10 anos. Hoje, a BlackRock administra aproximadamente US$ 7 trilhões no mundo todo e cerca de R$ 7 bilhões só no Brasil.

Conforme Fink, os investidores brasileiros já começam a se preocupar mais com as questões de critérios ESG e mudanças climáticas em sua tomada de decisões relacionadas a investimentos. “O Brasil, até por suas condições ambientais, tem um papel muito importante nessa discussão. Essas mudanças têm ecoado entre os investidores mais jovens e há uma maior diversidade de pessoas liderando investimentos no Brasil, como as mulheres”, refletiu Takahashi.

O setor de infraestrutura já é onde os aportes da BlackRock estão mais presentes no País quando o assunto são os chamados “investimentos alternativos, como, ainda, private equity e venture capital” – aplicações diretas em empresas em diferentes ciclos de vida. “Aqui (no Brasil) esses (dois) braços ainda não estão prontos”, disse Takahashi. O Brasil tem grande potencial em produção de energia limpa e espaço para o desenvolvimento nessas áreas, como o saneamento.

Ainda assim, os ETFs (Exchange Traded Fund), fundos atrelados a um índice, são o produto mais conhecido da empresa. Eles oferecem ao cotista uma carteira bem diversificada, oferecendo baixos custos e transparência, com flexibilidade e liquidez semelhantes aos de uma ação. Nessa área, a BlackRock também gere um importante ETF verde – o ECOO11, um dos primeiros com as suas características. Por fim, a terceira linha de trabalho é a gestão de riscos, onde também será incluído o critério ESG… Leia mais em jornaldocomercio 08/03/2020